24 de setembro de 2008

Medíocre!

Pegue a métrica, a poesia
dobre em mil dobras vincadas
engula à seco a covardia
Rasque a agenda, o dia-a-dia
Eles nunca foram nada

Entre as pernas o orgulho
Meta e olhe para o chão
Fure o ego, que é inflado
Você é cego, é até pecado
Não lhe dizer e com razão
Que seu sorriso é forçado
Sua arte inexistente
Tenho dó dos do seu lado
Que são todos inocentes
Idolatram um tapado
Idolatram um doente

A mediocridade é comum
a quase todos os mortais
Mas achar que ela é genial
Isso é falta de vergonha!
Isso é efeito colateral
De quem vive em jejum
de uma vida visceral

E é plastificada sua essência
sua cara e aparência
até o jeito sujo e desleixado
é simplesmente planejado
E feito em plena consciência
Porque quer ser descolado
Porque quer ter sapiência
Mas é pobre, é um coitado
E não merece nem clemência

Vá fazer a sua arte
e os quase cinco que lhe cercam
No seu mundo, todo à parte
Batem palmas, esperneiam

Todos são assim frustrados
tão ou mais do que você
E vivem tão desesperados
Que dá pena só de ver

Querem ter sua atenção
Querem parecer alguém
Querem parecer demais
Serem excepcionais
Mas não são nada além
De medíocres, de banais
Que precisam se isolar
na redoma do ego falso
de alguém pra bajular

E nessa troca de favores
Vão lambendo seus tumores
Disfarçando seus odores
De carniça e ilusão

Vocês são todos imbecis
Inúteis, infelizes
Criancinhas por um tris
de se afogar no dia a dia
Do mundo que é real
e morrer na agonia
de quem nunca beberia
A genialidade imortal

Não se é gênio, só se nasce
sem nem mesmo perceber
Quem se acha não se encontra
Vai viver sempre medíocre
e medíocre vai morrer...