11 de maio de 2010

A Sala de Café

Não há receita,
não existe método.
Não há fórmula,
não existe teoria

Que explique o desejo
A vontade de ser o outro
De engolir a si mesmo
De se fundir
De compactar os corpos
E morder, abraçar e sufocar,
e ver o mundo passar pela janela

Ninguém explica. O instinto selvagem,
a vontade piegas de passar a eternidade junto
Juntos...

Eu tinha um refúgio.
Um cantinho só meu,
pra onde eu corria...
A fim de me entorpecer de cafeína,
de fingir que me importava!

Mas, sobretudo, a fim de ver você.
Veja a vida como é,
De repente eu me lembro
Da sala de café...

Nunca vou esquecer
Da sala de café,
Onde cismava de m'esconder
Quando já perdia a fé,
Quando a vida me doía,
Quando a sombra do dia-a-dia
Teimava em entorpecer
Os sentidos, o meu peito
Eu me lembro que sem jeito
Eu descia pro café.

E lá eu lhe encontrava,
O sorriso disfarçava
os passos ébrios de desejo,
de paixão...

Que vontade que eu tinha,
que desejo insandecido
de fazer você ser minha,
de cantar no seu ouvido

Mas só tinha a cafeína
me fazendo companhia,
Você era a heroína
Que eu então jamais teria

Eu me dopava de café
Veja a vida como é!
E lhe olhava, bem nos olhos
Eu sonhava com nós dois
Encarnava, descartava o depois

Eu me lembro dos seus olhos...

E até hoje, no escuro da noite, quando lhe beijo docemente,
eu sinto a vida como ela é
e me lembro... Da sala de café...
Eu me lembro
Da sala de café...