8 de setembro de 2014

Poema de retorno

Restaram resquícios
Os últimos goles
De uma vida louca
Parcos sacrifícios
De um amor insano
De uma coisa pouca
Num mundo profano

Restou a dor aguda
Da saudade sem cura
De onde nada muda
Onde se fora a ternura
Ficou o verso rasgado
O espinho inflamado
O poema purulento
Do dilema, do lamento
De um mesmo tempo
De um mesmo dia
Que um dia o tormento
Da infame agonia
Sufocou no cimento
Da calçada mais fria

Na calada do dia
No agudo da esquina
Na tristeza esguia
Tão absurda e vazia

Morreu a esperança
Morreu o pesar
Do pesar, da criança
Do poema o pulsar

Morreu também
o passado, o violão
o peito amargurado
a amargura sem tezão

Morreu... Morreu... E por que não?