28 de junho de 2009

Excesso

Quando o muito já não é suficiente
Tudo o que procuro é um pouco de paz
Para um corpo calejado, de alma já dormente
Cujo destino é amargo e pesado demais

O fardo da busca ou a arte do encontro
Sinto o destino brincando comigo
Sinto o acaso por descaso não pronto
Dizendo que sou eu meu único abrigo

Eu busco às vezes talvez me apoiar
Quem sabe dividir o que sinto no peito
Sem ter que pedir permissão pra chorar
Nem lamentar o futuro, que parece desfeito

Protocolo

Durante a semana
o horário, o cartão

Sonho com a cama
Quando estou no ônibus

Sonho com o trânsito
Quando estou na cama

Durmo pouco
Penso muito
Produzo nada

Faço mil planos, passo calor
me sufoco com a gravata,
com a vontade da cachaça
E sem ter tempo pro amor

Mas quando chega sexta-feira
eu me livro do cinismo
varo a noite de bobeira
encho o copo, bebo o riso
Bebo toda a alegria
de vagar na noite fria

Sem algema nem grilhão,
E eu só dou satisfação
Ao meu próprio coração...