24 de março de 2007

Auto Retrato

É...Tanto tenho e nada tenho!
Deus! Por que imploro se não creio?
O que me falta então?
O que me falta eu não sei... Mas essa angústia...
Me deixa tão estranho!

Quase me afogo mas cruzo, a nado
O oceano sem fim que me separa do que sonhei
E então, logo que chego ao outro lado
Eu percebo que é nada tudo o que encontrei
Choro quieto, doido, inconformado
Não quero nadar! Quero morrer afogado...

17 de março de 2007

O fim

As portas e os dentes cerrados
É só uma janela...
Suor no peito, o peito de lado,
faz tempo que ele não é mais dela

Almas e armas,
qual é o jogo?
Cacos e restos,
destino roto

E o futuro, que fizeram dele?
Vou jogar, vou jogar...
Vou jogar pela janela!

Quem deu as cartas?
Quem pode escolher?

Pula...Pulo...Pulso!
Pulso... Punhos cerrados,
olhar vermelho - dormente
cortes, no espelho - é quente!
É sangue!
ou são lágrimas?

Corre... Corre... Voa!
Respira, olha. Voa! Voa!
Vento...Gelado! Vento gelado!
Sorriso? Sorriso! Alegria de criança!
Lembra quando viajou de avião?
Lembra da mãe...Carinho! Sorriso!
Sorriso, o caos se reaproxima...
Olhos fechados...

Voa! Voa!
Baque.
Barreira.
Negro chão ficou vermelho,
como aquele sonho,
como aquele corte,
como aquele olhar
no espelho,
vermelho, vermelho...

10 de março de 2007

Olhar cruzado

Minha alma por seu olhar tocada,
ferve, e quase me põe louco
Mas parece que é abençoada.
Então eu sinto de tudo um pouco,
e ao mesmo tempo não sinto nada

Mas é tarde, vai raiar o dia
Não preciso mais beber
Seu sorriso já me inebria
o suficiente pra me perder

O problema é que seu olhar distante
não fita assim, os olhos meus
O seu sorriso quase triunfante
É pra outro que não sou eu

Então eu finjo que não me importo,
como se aquilo não me afetasse.
Mas no fundo já não suporto
o desdém amargo em sua face

3 de março de 2007

Versos ao espelho

Nada de perfeição.
Sou carne, osso e impulsão

Dividido entre a vontade e a saudade
Procuro abrigo em falsas mentiras
Que a minha inexperiência contou

Se seu nome ainda me choca,
que dirá sua voz...

Meu lugar é aqui, é nessa vida errante
fingindo ser muralha
(que desmorona a cada instante)

Céus! Céus! Aquele desenho...
Inútil pensar onde foi que erramos
A resposta virá soprada no vento
Trazida com calma, ao longo dos anos...