Dias, meses, anos
O tempo passa
Caprichosamente
Zombeteiro,
Trigueiro
O tempo passa e zomba de mim
E zomba desses sonhos todos que cismo de sonhar,
Que insisto em querer viver
Como se não fosse acordar
Ensopado e sozinho
Perdido num escuro qualquer,
Sem mão nem abrigo
Sem noção do perigo
Eu vejo meu coração na berlinda
No centro do mundo e das atenções
sendo chacota, virando piada
E tudo o que eu sinto
Simplesmente não vale nada
Não sou perfeito, nem ousaria sê-lo
Mas, sinceramente...
Ser uma fagulha num mundo de gelo
É algo que dói
Tormento, angústia, sofreguidão.
Eu tento entregar meu coração
Mas ai, o que dizer?
Se de repente, perdi você
Cadê a mão? Cadê as juras?
Só há solidão
E ruas escuras...