Tomara aquele gole mais amargo
Amara então, do jeito mais errado
Tomara - pensara - que seja só loucura
Tomara - dissera- que seja só passado
Tomara que toda a amargura
Arda, como o líquido que cura
banhando o coração dilacerado
Pudera!
Pudera olhar nos olhos, tão sincero
Deixara, por orgulho, de fazê-lo
Amara com afinco e tanto esmero
Sonhara! afagando seu cabelo...
Quem dera!
Quem dera de si o que não tinha
A quem não merecia tal esforço
Sofreu daquela dor que é tão mesquinha
Fez seu um coração que era de osso
Quimera!
Quisera ser feliz, não teve culpa
De ser o seu destino tão cruel
A vida quase nunca é sempre justa
A vida é quase sempre um fino véu
Que encobre o rosto da felicidade
Porém, sem seus olhos esconder
Que é só pra nos fazer passar vontade
Daquilo que já não podemos ter...