21 de abril de 2015

Degustação

Degusto a vida.

sinto notas de saudade
Uma leve angústia amadeirada
E perfume de jasmim

um retrogosto amargo
um corpo dolorido
uma tristeza frutada
Um torpor quase amigo

Rodopio a alma na taça da vida
Já não degusto, bebo a goles largos
Quero embriagar-me
E ser consumido.
Perco-me em tons de baunilha e sofrimento

Mas o que me bate à boca
E ao nariz
É o gosto da felicidade pouca
Uma angústia infeliz

Podia ter sido. Mas não foi.
Chegou bem na beirada
Mas não foi.

Já não resta mais nada
E não foi... Não deu.
A culpa, sei lá
O sofrimento, ele é meu.