21 de julho de 2010

Fórceps

A carne arde, mas rasgada
sangra e abre as portas da dor
Tenho ali extirpada
A última morada do amor

Qual um câncer de estúpido tumor
Arranco de mim o que sobrou de ti
Sinto a fibra se rasgar e o torpor
de toda uma vida sinto ao expelir
de mim o último resquício de amor

E o corpo se contorce em apelos
Enjôo e vomito enquanto escrevo
E os sonhos, já não ouso tê-los
Sequer a dormir hoje me atrevo

E as flores todas serão vertidas
de buquês em fúnebres corôas
Que comemorarão o fim da vida
e de todas aquelas coisas boas

E as falsas palavras todas
que despejou a tua boca
Hoje são pérolas tolas
Que hão de adornar coisa pouca

A ninguém mais comove teu vazio
Teu corpo já não esquenta emoção
Não vou te dar o prazer ardil
De me ver arder em contrição

Leva o que sobrou de mim,
meu último suspiro de paixão
Sê feliz, alguém sofre por aqui
Pode comemorar.
Alguém sofre, e é por ti.

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